domingo, novembro 27, 2011

(Da noite de 22:)


Salas que dão para outras salas. Da arte a arte é querê-la. É a sombra impressionista de algo, a atravessar as salas de um castelo que se diria interminável... Perdendo-se a arte sempre que se fecha a porta. Dormindo-se a arte sempre que a escuridão da hora avançada a absorve.

Temíveis são os passos que as trevas propagam, à nocturna melancolia do castelo e sons de pêndulos, passos de aterradoras criaturas cujos vultos híbridos de lobo e homem passeiam pelos telhados. Podemos chamar de mero exercício de lúgubre, como quem diz "é só um filme, é só um filme, é só um filme". "Vai tudo correr bem, vai tudo correr bem". Mas podemos entrar por ele adentro, habitar nele, ter insónias nele e tremer até aos ossos.

Filme de autor que marca e demarca o raciocínio de estar, mas que rápido é outra pele que cai à hora de apagar o projector e deixar arrefecer as queimaduras. Carne-carvão que relaxa e adormece Inverno dentro.

Antes do tempo o tempo do antes. Momento inclinado numa travessia paradimensional do conceito de atravessar que é em si fim de si.